A guerra de egos é um fator que já afetou muito o cinema. Atores que querem ser donos de Hollywood e alcançam um sucesso apenas efêmero, e outros que conseguem seu espaço, mostrando talento e “comendo pelas beiradas”, atingindo sucesso inabalável. Mas um outro tipo de guerra é muito melhor retratado nas películas: o duelo de personagens interpretados por grandes atores.Não há preço que possa ser pago, quando nos deparemos com duas grandes personalidades do meio cinematográfico interpretando personagens memoráveis, embebidos em histórias que invariavelmente se tornarão célebres para a sétima arte.
É exatamente nessa luta desarmada entre monstros do cinema que Dúvida (Doubt, EUA, 2008), filme que estréia nessa sexta-feira em circuito nacional, se apóia. Os gigantes que se digladiam já são velhos conhecidos do público, e o enredo não nos trás nada que ainda não é sabido.
Meryl Streep, que ganha aqui sua décima quarta indicação ao Oscar, vive irmã Aloysious, uma freira amargurada e irredutível com a educação dos alunos de um colégio cristão, onde ela é diretora, sempre amparada por outras irmãs, que lecionam no local. Acima de seu cargo está padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman, em mais uma atuação embasbacante, indicado ao Oscar de Melhor ator coadjuvante), com quem Aloysious possui uma relação nada amistosa.
A história, ambientada em 1964, possui dois elos que ligam os personagens de Streep e Hoffman. Um deles é irmã James (Amy Adams, de Encantada, indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante), uma freira carinhosa e extremamente dedicada a seus alunos, que tenta incessantemente instaurar a paz dentro do convento. Essa paz que James tanto busca começa a ser ferozmente ameaçada com a chegada de Donald Miller, o primeiro aluno negro aceito no Colégio St. Nicholas, no Bronx.
Além do fato de ser negro, o garoto é introvertido, se tornando assim um alvo fácil do preconceito dos outros alunos – clichê de qualquer escola americana. Testemunha dos apertos pelos quais o garoto Miller passa, Padre Flynn faz dele seu novo protégé, o que desencadeia a real "dúvida" que intitula o filme. É como olhar uma foto em que um beijo na face, parece ser dado na boca. Irmã James vê algo, que à ela parece ser um assédio, e assim o estopim é formado para que a iminente guerra entre o padre e a madre-diretora tenha início.
John Patrick Shanley (Oscar de Melhor roteiro por O feitiço da lua, de 1987), dirige seu segundo filme, seguindo a obra homônima, ganhadora do prêmio Pulitzer, com experiência de quem já o fez muitas outras vezes. Meryl Streep está soberba – impressionante como a atriz consegue mudar suas caracterizações, quando bem conduzida – e Philip Seymour Hoffman concorre como coadjuvante em um papel que facilmente poderia ser indicado como principal.
Uma questão ainda não esclarecida para mim foi a questionável indicação de Viola Davis (Noites de tormenta) para concorrer à Melhor atriz coadjuvante, interpretando a passiva Sra. Miller, mãe do garoto, diante do problema levado à leva pela irmã Aloysious, em uma cena que dura menos do que cinco minutos. Com certeza, atrizes que fizeram muito melhor, e mais, facilmente se destacarão, como a própria graciosa e competente Amy Adams.
Melhor atriz, Melhor atriz coadjuvante (Amy Adams), Melhor atriz coadjuvante (Viola Davis), Melhor ator coadjuvante e Melhor roteiro adaptado.

Depois de falar com vc sobre esse filme, fiquei com mais vontade ainda de ve-lo!!!!
ResponderExcluirUm beijo!!!
Estou ansioso pra assistir esse filme!
ResponderExcluirE ele tem Marie Streep(nao sei se eh assim que fala), nao tem??