Se existem dois diretores completamente visionários no mundo, para mim, são eles: Danny Boyle e Darren Aronofsky. Ambos são plenamente importantes para o cinema exatamente por terem transportado – com extrema seriedade, fidelidade e maestria – obras literárias de difícil digestão para as telonas.No caso de Boyle, seu trabalho em dirigir Trainspotting, um filme que usa como mote principal o grande problema social dos viciados em drogas – aqui no caso, a heroína – , os apertos, reações e conseqüências que se passam com aqueles que realmente se tornam escravos da dependência, ultrapassou limites tanto estéticos, quanto de quaisquer outras naturezas.
Com Aronosfsky, o caminho trilhado na direção de cinema foi muito semelhante ao de Boyle. Um de seus primeiros trabalhos atrás das câmeras foi Réquiem para um sonho, filme adaptado da obra homônima de Hubert Selby Jr., de difícil leitura, que abordava exatamente o mesmo tema de Trainspotting, e que também acabou por se tornar cult após virar filme.
Porém, após anos passados desde o começo de suas carreiras, ambos se encontram em 2009, para os Academy Awards, cada qual em suas categorias. Explicando melhor, Boyle definitivamente levou grande vantagem com seu mais novo filme Quem quer ser um milionário?, indicado a 10 Oscar (em 9 categorias), contra apenas duas indicações de O lutador (The wrestler, EUA, 2008), o projeto mais recente de Aronofsky.
Muito se tem falado sobre a ressurreição do ator Mickey Rourke (de Sin city), interpretando Randy “The Ram” Robinson, um ícone da luta livre da década de oitenta, e sua vida jogada escada abaixo após grande sucesso. A excessiva exposição do ator na grande mídia, e o praticamente confirmado Oscar, de Rourke, têm como base as desastrosas semelhanças entre as vidas do ator e de seu personagem.
Após ganhar um bom dinheiro participando e se tornando uma das caras mais famosas da luta livre americana na década de oitenta, Randy Robinson, nos dias atuais, vive do dinheiro de ínfimas participações em circuitos decadentes do esporte, complementados com bicos que ele faz de carregador num almoxarifado de um supermercado local.
Miseravelmente vivendo em um trailer caindo aos pedaços, seu único parente vivo é Stephanie (Rachel Ewan Wood, de Across the Universe), uma filha que ele abandonou juntamente com a mãe, quando a menina ainda era pequena. Sendo assim, uma das únicas pessoas que quem o lutador do título ainda pode conversar é a stripper Cassidy (Marisa Tomei, de Antes que o diabo saiba que você está morto, também em esplendida atuação), a quem ele tem que despender uma certa grana para que o papo role solto.
Devido ao abuso de drogas, e por sua boca grande, Rourke ficou por muito tempo completamente queimado e esquecido em Hollywood. Tentou ser boxeador, o que gerou as grandes cicatrizes e deformações em seu rosto. Agora, tirou novamente a sorte grande em ser escalado por Aronofsky, que se arriscou em receber de braços abertos um ator visto como encrenca, para realizarem em conjunto um trabalho de soberba indescritível.
Randy, no filme, assim como Rourke na vida real, nada contra uma forte maré para tentar alavancar a sua vida. “Fazer tudo certo desta vez, e não cometer os mesmos erros do passado”, se aproximando de sua filha, e tentando manter um bom trabalho, que supra suas necessidades. Fazer o caminho inverso, e ressurgir, da derrocada à ascensão, disseminando seus problemas.
Segundo entrevista dada à uma grande revista, Rourke disse que uma das cenas mais dolorosas de se fazer é a de seu trabalho como balconista no supermercado, onde um cliente diz uma frase difícil de ser encarada para qualquer celebridade decadente: “Eu te conheço de algum lugar, mas não consigo me lembrar de onde!”.
Ao que tudo indica, se Rourke, assim como The Ram fizer “tudo certo dessa vez”, seus demônios exorcizados não terão chances de volta, e o medo do ostracismo pode nunca mais bater à sua porta.
Melhor ator e Melhor atriz coadjuvante.


Quando coloquei esse DVD, não estava mto empolgada não!Achei que fosse ser mais um "filme de menino", cheio de porradas e gostosas a rodo,
ResponderExcluirmas me enganei profundamente!
Apesar da aparência grotesca e da cara de mau de Mickey Rourke, ele acabou me conquistando e quase fui as lágrimas na parte em que ele conversa com a filha!!
Eu adorei o filme e acho que ele deve ganhar(apesar de ainda nao ter visto Milk, AINDA!!hihih)
beijos, gaténho!
Gaténho? essa expressão é nova, porém deixa para lá. Mais palmas ao Chagas, valeu é 100%
ResponderExcluir