quarta-feira, 8 de abril de 2009

Crepúsculo: a tentativa fracassada de reinventar Conde Drácula.

Nos tortuosos dias da atualidade moderna, onde o ser humano perde cada vez mais o hábito da leitura, quando um escritor lança sua obra literária, e a mesma cai no gosto popular, transitando assim na lista dos livros mais vendidos de um país, angariando fãs das mais diversas idades, o título invariavelmente caminha para apenas um destino: as grandes telas de cinema.

A escritora inglesa e uma das mulheres mais ricas da terra da rainha, J. K. Rowling, criadora do bruxo infantilóide Harry Potter, foi uma das precursoras na escrita de livros para o público adolescente, transformando o personagem em uma das figuras mais admiradas por oito entre dez pré-adolescentes ao redor do mundo.

Presenciando o iminente fim da saga de Harry Potter, a dona de casa americana Stephanie Meyer, viu o cargo de “história queridinha dos adolescentes” vagar justamente quando sua criatividade como escritora aflorava, desembocando na nova saga mais idolatrada pelos jovens na atualidade: Crepúsculo, que mais do que depressa se tornou no filme homônimo (Twilight, EUA, 2008), lançado essa semana em DVD em todo Brasil.

Não apenas se apossando do filão antes dominado por J.K Rowling, Stephanie também tomou para si um gênero há tempos abandonado pelo cinema e pela literatura: os vampiros. Na trama, a garota Isabella Swan (Kristen Stewart, de Eu e as mulheres), vai morar com seu pai na fria e pacata cidade de Forks, Washington, onde acaba conhecendo Edward Cullen (Robert Pattinson, de, acredite quem quiser, Harry Potter e O cálice de fogo), um garoto esquisito e intrigante, que esconde um grande segredo: ele é um vampiro sedento por sangue.

O roteiro, também escrito por Meyer, em apenas seis semanas – a péssima qualidade da história não nega – foge do senso comum de colocar vampiros como seres sanguinários e à caça de novas presas dia e noite, romanceando uma história entre dois adolescentes vindos de mundos completamente opostos, o que já havíamos visto na belíssima e definitiva história de Drácula de Bram Stoker.

Como em toda história de romance entre adolescentes, vilões tem sua participação mais do que especial no quesito destruir um casal apaixonado, o que nos leva aos personagens James e Victoria, ambos vampiros do mal, que se mantêm à espreita por uma boa oportunidade de levar Bella para o lado negro da comunidade vampiresca do local.

Até este ponto, a trama se mostra palatável, e até promete algo bom, porém, o grande problema da fita está no baixo orçamento para absolutamente tudo que foi deixado a cargo da diretora Catherine Hardwicke, que já havia dado prova de seu excelente trabalho em Aos treze e Os reis de Dogtown, mas que, simplesmente se rebaixou a fazer um filme como Crepúsculo, onde tudo é sinônimo de falta de produção e o mínimo de dinheiro investido.

Os problemas são diversos, e apenas se acumulam ao longo das duas horas de filme. Os atores escolhidos pelo casting, são totalmente desprovidos de beleza – o que, na obra literária, é frisada como descomunal – e principalmente de talento dramático, o que se justifica nas péssimas interpretações e na falta de química entre Kristen Stewart e Robert Pattinson.

Os figurinos amplamente cafonas, e a trilha sonora mal aproveitada pela boa banda Paramore, são problemas de pouca relevância perto dos terríveis efeitos especiais – a cena de Edward carregando Bella nas costas é risível – e da lamentável filmagem que, por diversas vezes, chegavam a desfocar, ou “estourar”, quando a incidência de luminosidade contra a lente das câmeras eram demasiadas.

Ainda com mais três volumes pela frente – Lua nova, Eclipse e Amanhecer, sem contar a quinta e ultima parte, que não passa de toda história contada pelo ponto de vista de Edward, o que se espera, além claro, da histeria sem propósito do publico infanto-juvenil, é uma boa melhora por parte de roteiro, produção, atuações, figurino, enfim, tudo o que um filme necessita para ser bom, já que, Crepúsculo, se colocou, por si só, muito abaixo da linha da pobreza.

O doce saber da vida alheia...

Verdade. Mentira. Indagação

Ninguém sabe absolutamente tudo da vida alheia. Alguns acham que sabem tudo. Alguns mais dizem que sabem um pouco. Outros, tentam descobrir, para poder passar adiante. Tem gente que quer saber, apenas para guardar consigo. E há também aqueles que não se preocupam com nada além de sua própria vida.

Passado. Presente. Futuro.

Olhando assim, de perto, ou de longe, fica difícil de saber. Quem é o ex-viciado em drogas, que hoje prega palavra de Deus com a maior convicção do mundo? Quem é a filha safada que jura até a morte ao pai, dizendo-se ainda virgem? Quem é o cara que diz fazer e acontecer na cama com as mulheres, quando na verdade, o que ele gosta é de outro sexo? Quem é a dona-de-casa de sorriso largo e perfeito estampado no rosto, mas que só anda de braços cruzados a fim de esconder as cicatrizes de um surto, fincadas nos pulsos? Quem é a garota obesa ponto de referência que diz comer “apenas um pedacinho de pizza”, quando todos sabem que oito pedaços ainda não a satisfazem?

Fofoca. Intriga. Contradição.

Quem nunca foi vitima de fofoca, que atire uma pedra. Quem nunca profanou contra alguém próximo, que atire três. O ser humano é assim. Vê o que quer. Ouve o que está ao alcance de seus aguçados tímpanos. Fala sem filtro, afinal, não é a vida dele que está na berlinda. Com a reputação na guilhotina. É sádico ver o outro vir ao chão. Mas é ainda mais sádico, ajudar a chutá-lo, sem chances de defesa.

Vida vã. Deixe pra lá. Receba e guarde consigo.

Se a fofoca, a mentira e a traição são questões impregnadas no ser humano, e você sim, é um deles, faça como digo. Receba a informação e guarde, como se fosse sobre você mesmo. É feio. É baixo. É ilegal. É desigual. Todos temos nossos dirty little secret, e querendo ou não, temos que conviver com estes, como parte de nossos corpos. Se isto virá a apodrecer com o tempo e deixar um cupinzeiro destruir o alicerce de madeira, isso apenas o tempo dirá. Alguns de nós, são feitos de concreto.