sexta-feira, 8 de maio de 2009

Crítica de cinema - A troca

A troca: uma mãe sem um corpo do filho para enterrar.

A beleza, indiscutivelmente, é uma das principais portas de entrada para o hall da fama dos atores de Hollywood. Personalidades como Tom Cruise e Brad Pitt, que ainda hoje são apontados pelo público feminino como sinônimo de perfeição, tiveram seus nomes reconhecidos pura e simplesmente pela estética, deixando os valores dramatúrgicos como plano de fundo.

Uma das atrizes mais belas do mundo, a sul–africana Charlize Theron, de fato também conquistou fama e fortuna apoiada em sua beleza indescritível, que teve de deixar de lado, engordando quase vinte quilos, e se “enfeiando” a base de muita maquiagem para conquistar o Oscar, em 2004, pela excelente personificação da assassina em série lésbica Aileen Wuornos, em Monster – Desejo assassino, filme baseado em fatos reais.

Analisando o caso das três estrelas citadas acima, temos também a contra partida de que, por muitas vezes, a beleza atrapalha um ator, deixando-o estigmatizado apenas como um rosto a ser exibido, sem talento algum para mostrar.

Assim também ocorreu com Angelina Jolie, considerada por muitos a mulher mais sexy do planeta e que, por diversas vezes, enfrentou dificuldades para abandonar a imagem de mulher fatal, e mergulhar em papéis mais profundos. Sua última investida foi em A troca (Changeling, EUA, 2008), filme baseado em fatos reais, já disponível nas locadoras nacionais.

Dirigido pelo magistral ator e diretor americano Clint Eastwood – Oscar por Menina de Ouro e também realizador do suspense dramático Sobre meninos e lobos – a película, ambientada na Los Angeles de 1920, conta a história da mãe solteira Christine Collins (Jolie), que após sair de casa rumo a mais um dia rotineiro no trabalho como telefonista, se depara com a falta de seu filho Walter de nove anos, quando retorna ao lar.

Sem ter para quem apelar, Christine pede ajuda à Policia Local, que meses depois encontra Walter e o devolve à mãe. O “pequeno” problema é que, Christine afirma em alto e bom tom que aquele garoto não é seu filho desaparecido, deixando o Departamento de Polícia de Los Angeles – DPLA – com má reputação perante a mídia e os civis.

Acusada de louca, a telefonista passa por maus bocados em um emaranhado de tramas paralelas que correm e chegam ao mesmo motivo: o seqüestro do garoto Walter. Presa, torturada e desacreditada, Christine conta apenas com o reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich, de Queime depois de ler), que além de suas pregações e seu papel na igreja católica, também possui um programa de rádio, onde critica as más atuações do DPLA.

Prestes a completar 79 anos, o diretor ganhador de 4 estatuetas douradas, parece possuir fôlego e competência redobrados, quando comparado ao início de sua carreira, no gênero Western.

Os detalhes e cuidados com a reprodução de um ambiente dos anos vinte são de encher os olhos. Muitas colorações sépia, marrons e acinzentadas, para dar o ar de antigo a bondes, carros, prédios, casas, ruas, avenidas, e principalmente figurinos são de impecável perfeição, e funcionam extremamente bem ao transpor o espectador para a dramática história.

Liderando a rédeas curtas uma Angelina muito mais sóbria – afinal o papel é de época – e preenchida de angustia em não encontrar o filho, e pior, ter sua sanidade colocada em duvida, Clint conseguiu fazer com que a atriz não apenas expusesse seus dotes dramáticos, mas também a fez abocanhar uma indicação como melhor atriz para o Oscar deste ano.

Angelina Jolie não levou a estatueta, mas com seu papel em A troca, provou que o belo, apesar de ser extremamente fundamental para ingressar em um meio de sucesso como é o cinema norte-americano, está longe de ser a principal causa de sustentação de um ator neste meio. Beleza é um bom começo, mas o talento se mostra cada vez mais fundamental para o sucesso.

Um comentário:

  1. ai, menino... Não curti este filme tanto assim. Achei bom. Mas só. Angelina não conseguiu me comover. E olha que eu sempre me esbugalho em lágrimas e neste filme não caiu umazinha, não me emocionou nadazinha.... Enfim... Beijos, meu querido que eu amo tanto de uma amor tão grande!

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