sábado, 2 de maio de 2009

Crítica de cinema: Um homem bom.

Um homem bom: até aonde a ingenuidade convence?

Se existe um tema que está em alta nas grandes produções cinematográficas dos últimos tempos, esse tema é o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também conhecido como Partido Nazi, ou Nazismo. Instaurado na Alemanha pelo ditador de origem austríaca, Adolf Hitler, o regime teve inicio em 1933, perdurando no país até o ano de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao seu final.

Seja em produções recentes como A Queda, A espiã, O leitor e Operação Valquíria, ou nas mais antigas e magistrais, a exemplo de O pianista e A lista de Schindler, o cinema que coloca o Nazismo em foco, tenta sempre dissecar um personagem central dessa parte da história mundial de triste relevância.

Seguindo a febre de filmes baseados no Nazismo, chega às locadoras de todo país, Um homem Bom (Good, UK, 2008), filme adaptado de uma peça de teatro do escocês Cecil Philip Taylor, que conta a história de vida do professor universitário alemão John Halder (Viggo Mortensen, de Senhores do Crime), no início da ascensão da ditadura de Hitler na Alemanha.

Apesar de ter base em uma peça teatral, Um homem bom, primeiro filme de língua inglesa do diretor brasileiro Vicente Amorim, filho do ministro Celso Amorim, não tem os vícios deste tipo de adaptação. Mesmo tendo que lidar com uma história repleta de fendas profundas como o Nazismo, Vicente consegue fazer um trabalho repleto de sutilezas, explorando uma visão ainda não convincente por parte do povo alemão: a ingenuidade perante o Holocausto.

John Halder, o homem bom do titulo, é um professor de literatura que vê o Nazismo bater cada vez mais forte às portas da Universidade. Livros são queimados, enquanto filósofos e grandes pensadores são proibidos de serem citados em suas aulas. Para John, em uma conversa com seu amigo psicanalista judeu, Maurice (boa interpretação de Jason Isaac) – conversas essas que são os pontos mais altos do filme – Hitler é uma piada, que cairá no esquecimento em breve. Ledo engano.

Lidando com uma mulher problemática, uma mãe doente, e um sogro nazista intruso, John, em meio à apatia e serenidade, vê sua sorte mudar quando seu único romance publicado cai nas mãos do regime ditatorial, e para sua surpresa, todos parecem gostar – já que o mote principal da historia é a eutanásia. Entre ficar sob um teto escuro, opressor e depressivo, e viver uma felicidade instantânea dentro dos salões amplos, límpidos e iluminados das sedes nazi, fica obvio o porque do professor concordar em ser um tipo de consultor do regime totalitário de Hitler.

Logo seus problemas são meras águas passadas e John já está com vida nova a pleno vapor. Não tarda, e Anne, a representação máxima de uma dona de casa ariana de respeito, se torna sua esposa, e uma casa ampla e mobiliada é dada como nova morada do casal. Tudo pago pelos nazistas.

É exatamente neste ponto que Vicente Amorim mostra segurar com firmeza as rédeas da direção, expondo aos poucos o personagem de excelente caracterização de Mortensen, a uma fagocitose completa por uma ideologia que esteve sempre antagônica aos seus princípios, mas que agora é sua principal forma de sobreviver ao momento de transição pela qual a Alemanha passa.


Aqui, podemos presenciar com exatidão o que já foi defendido por muitos ao longo da história mundial: a mesma massa alemã que colocou Hitler no poder, poderia estar realmente alheia ao Holocausto? À primeira vista, focando apenas John, a resposta se confirmaria afirmativa. Ainda apático, lento e de poucos momentos de sobriedade e atitude, o personagem de Viggo chega a irritar por tamanha passividade.

Sem grandes surpresas, Um homem bom, não posso negar, obtém resultado satisfatório, mas talvez por já sabermos o início, o desenvolvimento e o desfecho de um dos mais brutais capítulos protagonizados pela raça humana, chega a ser difícil de imaginar uma pessoa, sobretudo tão esclarecida como Halder, estar tão aquém de saber o que se passava à frente de seus próprios olhos incrédulos.

2 comentários:

  1. Quando eu cliquei para postar o meu cometário, acabou a luz!Mas agora voltei, e acho que nada vai me atrapalhar!!

    Qdo eu fiquei sabendo que era sobre esse filme a crítica da semana, torci para que vc postasse no blog, e não é que deu certo?!rsrs

    Adorei ler em um texto seu um dos meus assuntos favoritos!Foi lindo, adorei!!rsrs

    Um beijo enorme!!

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  2. Ivan acho que para atrair a atencao um homem bom primeiro precisa ter cara de bonzinho na capa, se nao o filme nao vai bem ate o final, e ja estou vendo que o homem eh bonzinho meeesmo, vou alugar... passo ai e um coffe break?
    Fabi Godoy - comentarista

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