segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crítica de cinema: Os delírios de consumo de Becky Bloom

Os delírios de consumo de Becky Bloom: um mar de sacolas para chamar de seu.

Os filmes de comédia atuais estão sendo cada vez mais segmentados para públicos masculinos e femininos. Os primeiros abrangem quase que em sua totalidade histórias de pouco conteúdo, muitos corpos femininos à mostra e piadinhas infames que arrancam riso fácil.

O grupo de comédias estritamente destinadas ao publico feminino é um mote um pouco mais recente no cinema mundial. Antes, mulheres e garotas eram seduzidas apenas por comédias românticas, de conteúdo previsível e finais felizes, mas há algum tempo a história tem sofrido uma metamorfose inevitável: a independência e o poder de consumo feminino.

Sex and the City, a série de tv mais feminista da história, pode ser tida como uma precursora do tipo de película descrita acima. Para quem não conhece, a história gira em torno de quatro mulheres de seus trinta e poucos anos, que vivem uma independência forçada na cidade de Nova Iorque, e que entre consumismo indiscriminado e atitudes imaturas chegam à conclusão de que não conseguem viver sem um homem pra chamar de seu.

Como há males que existem para que o bem seja refeito, títulos como O diabo veste Prada, Vestida para casar, O melhor amigo da noiva e Noivas em Guerra tiveram uma facilidade de realização e boa bilheteria, exatamente graças às portas abertas pela série de tv citada.

Adaptado do best seller homônimo da inglesa Sophie Kinsella, Os delírios de consumo de Becky Bloom (Confessions of a shopaholic, EUA, 2009), é o mais recente exemplar da espécie filmes feitos para mulheres. Todos os elementos de serie estão presentes: moda, romance, independência profissional, a busca pela auto-afirmação e um final feliz para degustar com um caixa de chocolates.

Na história, a encantadora Isla Fisher (Três vezes amor) é Rebecca Bloomwood, mais conhecida por Becky, uma jornalista que munida de doze cartões de credito, gasta o que tem e o que não tem comprando roupas, bolsas e sapatos das mais variadas e caras grifes que a big apple pode comportar.

Trabalhando para uma revista de jardinagem, seu grande sonho é se lançar na carreira de jornalista de moda, mas para isso, seu próximo degrau será aceitar o cargo de colunista para uma revista de economia, assunto que ela definitivamente não domina, já que deve 16 mil dólares para um agiota, que tem como editor Luke Brandon (Hugh Dancy, de Rei Arthur), um homem bonito, bem sucedido e que se veste impecavelmente, apesar de não fazer a mínima questão por marcas e badalações, mas por quem a garota inevitavelmente se atrairá.

Olhando a primeira vista, Os delírios de consumo... não apresenta absolutamente nada que a industria hollywoodina já não tenha fabricado, mas surpreendentemente a direção do australiano P.J Hogan (O casamento do meu melhor amigo), mantém Isla Fisher durante os 90 minutos de fita com um timming de comédia excelente e longe dos exageros costumeiramente presentes no gênero apresentado aqui.

As cenas de Becky se lamuriando com manequins de lojas que tomam vida, as confusões causadas pela jornalista nas reuniões dos dependentes de compras anônimos e a impagável cena do cartão de credito congelado são exemplares únicos nessa comédia que mescla ingenuidade e bom tom.

A trilha sonora deixa um pouco à desejar, em se tratando de um filme com um grande conteúdo pop, porém belas vitrines, figurino assinado por Patrícia Field, que leva no currículo o glamour do já citado O diabo veste Prada e a bregaria sem fim de Sex and the City – O filme, repleto de texturas e cores vibrantes, se torna um imã capaz de atrair olhares até mesmo daqueles que não entendem absolutamente nada de moda.


Apesar de aparentemente ser feito para o público feminino, Os delírios de consumo..., no desenrolar da fita, se mostra um exemplar raro na comédia atual, mirando um pouco além do que deveria, preenchendo a lacuna existente entre filmes machistas e feministas, sendo acima de tudo, entretenimento da melhor qualidade.

2 comentários:

  1. Oi gatchénho!
    Faz tempo que não comento aqui, né?(pq passar pra ler, isso eu faço sempre!rs)
    Adorei o texto, principalmente qdo vc dá uma detonadinha básica em Sex and the City!ahahahaa

    Um beijo gigante!

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  2. Ei... Eu A-M-O SEX AND THE CITY!!! rs... E A-M-E-I Becky Bloom!!! Morri de rir. E por mais exagerado q seja, me identifiquei (assim como vááarias outras mulheres) em mtas cenas. Não como EU, mas como única e simplesmente MULHER! rs... Beijos delícia!

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