quarta-feira, 8 de julho de 2009

Crítica de cinema - Passageiros

Passageiros: primeiro thriller de Hathaway engana e não decepciona.

A credibilidade é uma das características mais vulneráveis que o ser humano pode adquirir. No cinema, personagens podem ser acreditáveis, e te levarem a um final completamente oposto do que se pensava a respeito durante toda a película, como por exemplo vimos Jéssica Alba fazer recentemente no suspense Awake – A vida por um fio.

Porém, um ator ou atriz, mostra sua real credibilidade quando não deixa a linha entre seu personagem e sua figura real a dividir. A bela Anne Hathaway, em sua recente corrida para fama, tem realizado diversos papéis que mostram, acima de qualquer suspeita, o seu lado de moça correta e intocável, portanto, digna de crédulo.

Entre o delicioso Agente 86, e o indigesto O casamento de Rachel – que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz deste ano – a bela atriz americana protagonizou o suspense Passageiros (The passengers, EUA, 2008), título já disponível em DVD no Brasil.

No thriller, Anne vive a psicóloga Claire Summers que enfrenta o maior desafio da sua carreira quando é designada por seu mentor (André Braugher, de O nevoeiro) a orientar grupo de sobreviventes de um acidente aéreo.

Entre todos os pacientes, Claire desperta um interesse maior por Eric (Patrick Wilson, o Coruja de Watchmen), um rapaz que a confronta, recusando sua ajuda terapêutica, e que explora suas inquietações em relação ao acidente através de pinturas que realiza em casa.

Com o tempo e paciência de Claire, finalmente Eric se abre para o tratamento, mas mira não apenas a ajuda profissional, e sim, um possível estreitamento de laços com a moça. Tentando manter a distancia profissional do sobrevivente, e ajudar o grupo que também escapou do acidente aéreo, a psicóloga se vê em meio de uma possível conspiração da empresa aérea quando esse mesmo grupo começa a desaparecer, um a um.

Em sua primeira incursão no cinema Hollywoodiano, o diretor colombiano Rodrigo Garcia, que tem em seu currículo uma extensa lista de seriados para tv americana, não consegue deixar de lado o tom de folhetim em Passageiros, explorando uma historia que invariavelmente agradará a grande massa, seja pela temática ou simplesmente pela credibilidade de Hathaway, conquistada em seus papeis anteriores.

A narrativa de Passageiros pode dar sonolência por não se aproveitar do fato de ser um suspense e colocar cenas sanguinárias ou sustos previsíveis em suas cenas, mas sim por sua filmagem escura e de tons esverdeados feitas para aumentar a atmosfera lúgubre possivelmente proposto por Garcia, sendo de grande ajuda no entendimento da história.

Citar dois famosos e intocáveis títulos do cinema moderno que obviamente serviram de inspiração para Passageiros, de fato estragaria o divertimento e a surpresa até mesmo dos leitores mais atentos a detalhes, mas vale a dica de que o ponto forte das três produções é simplesmente deixar de lado os extremos dicotômicos – como céu e inferno – que facilmente poderiam amargar a curiosa trama.

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