terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Especial Oscar 2009: Batman - O cavaleiro das trevas

Batman – O cavaleiro das trevas: perfeitamente caótico!
Para mim, criar um texto logo após uma sessão de cinema, é uma tarefa extremamente dificultosa. Necessito tempo. Necessito sintetizar todas as informações, divagações e expectativas que passam pela minha cabeça quando presencio uma obra. E dessa vez está ainda mais difícil. Não é uma obra qualquer, é uma das maiores obras-primas do cinema atual. Sei que pessoas me chamarão de exagerado, mas só o poderão fazer depois de ter a mesma oportunidade que tive: assistir Batman – O cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008).

Sem duvida alguma, o segundo filme da nova franquia do Homem-Morcego é o mais esperado de todos os tempos, não apenas nessa categoria de super-heróis. Alguns elementos ajudam a aumentar a ansiedade, tanto no público específico - os adoradores de histórias em quadrinhos e os cinéfilos declarados, quanto naqueles que encaram a sétima arte como apenas mais uma forma de entretenimento.

As expectativas começam a partir do título. É a primeira vez que o nome do personagem principal, do super-herói, da face obscura do bilionário Bruce Wayne (Christian Bale, de Os Indomáveis), o Batman, não aparece nem como título, ou ao menos subtítulo. Nessa aventura, tudo se resume apenas em O cavaleiro das trevas. Curioso? Não. Iria além, em dizer intrigante, se encararmos de frente o fato de o homem-morcego ser, nesta fita, um mero coadjuvante perante o que seu maior arquiinimigo, o Coringa, representa aqui.

Quando soube da morte de Heath Ledger (indicado ao Oscar por O segredo de Brokeback Mountain), o intérprete de um dos maiores vilões das HQs, o próprio Coringa (Joker, em inglês), a primeira coisa que me veio à mente foi: “O cavaleiro das trevas ganhará muito impulso no aspecto publicitário!”. E aqui, hoje, eu pago pelo que disse, afinal de contas, eu sinto ainda mais pela morte de Ledger, pois ele não está entre nós para poder colher os louros de uma fama que quebraria barreiras e ultrapassaria limites, após o lançamento desse Batman, afinal de contas, o intérprete do Coringa é, 95% o que O cavaleiro das trevas exibe nas telonas.

Eu sei que não vou me acostumar com o fato de Christian Bale ser o atual Batman. Não gosto de como ele o interpreta. Seus lábios e sua dicção me fazem sentir desconfortável. Porém não reclamo em excesso, afinal de contas, não saberia eleger um novo Bruce Wayne para contornar as falhas de Bale. Mais uma vez, no Batman atualmente em cartaz nos cinemas, sua presença pouco importa.

Preciso elucidar mais uma vez como é difícil digerir a façanha do diretor Christopher Nolan (O grande truque) de ter conseguido realizar um trabalho extraordinário, e fazer O cavaleiro das trevas se elevar ao posto de obra-prima cinematográfica, e não apenas mais um filme baseado em histórias em quadrinhos, como tantos outros que pipocam aos montes, sem qualidade e fidelidade alguma aos gibis. Nessa nova empreitada, Nolan não recorta pedaços de quadrinhos para colar em tela grande. Ele reinventa um herói que apenas se assemelha em partes com o Batman que existiu até aqui.

Indo agora para a história em si, quero dizer pouco. Nunca fui estraga prazeres em minhas críticas, e não é agora que começarei a ser. Nessa nova aventura, o que mais interessa são: caos, destruição e descontrole total do ser humano. É por isso que o Coringa prima, e é assim que O cavaleiro das trevas deve ser apreciado e analisado. Como um filme repleto de personagens que quebram paradigmas a todo instante para, juntos, construírem um só novo paradigma. Indestrutível.

Há algum tempo eu descrevi o personagem de Javier Bardem em Onde os fracos não têm vez como, parafraseando a mim mesmo: “um dos personagens mais indecentes – no sentido de complexo e insano – que o cinema já formou”. Não volto na minha decisão de ter escrevido tal frase, mas me deparo mais um vez com a figura de Heath Ledger, em O cavaleiro das trevas me fazendo repensar sobre o que já escrevi, pois agora, assim como o filme, preciso ir além.

A sensação é de estranheza em ver o Coringa nas telonas, pois a dificuldade é imensa em reconhecer o ator por trás da maquiagem borrada, que escorre no jovem rosto de Ledger, e faz o coringa de Jack Nicholson sem sentido em ser aclamado – ainda bem. Os cabelos um pouco compridos, dão a mobilidade necessária e inquieta ao personagem que, em apenas uma hilária cena, dentro de um hospital, se desvencilha de seu inseparável terno roxo.

A insanidade, loucura, descontrole total, ele mesmo explica no filme: “Você mudou as coisas...e na visão deles, você é um louco, como eu”, para o Batman. Ou ainda: “Por quê tão sério? Vamos colocar um sorriso nesse rosto!”, com uma faca nas mãos, pronto para cortar os lábios de orelha a orelha, de qualquer um que atravesse o seu caminho. Não lembro ao certo a frase que o Coringa diz ao Homem-Morcego em sua cena derradeira, mas ele praticamente filosofa sobre anarquia, destruição da ordem pública e descontrole de um povo que facilmente perderá a cabeça.

Complementando o assunto, ele ainda fala sobre o fato de ter corrompido o intocável Harvey Dent, novo promotor público de Gotham City (ainda com a mesma cara de Nova Iorque), interpretado com muito afinco por Aaron Eckhart (do excelente Obrigado por fumar). Aliás, o próprio promotor destila uma frase à lá Coringa, que define bem o seu papel em O cavaleiro das trevas e quem sabe além: “Ou você morre como um herói, ou você vive o bastante para se ver transformar em vilão”.

A parte feminina da fita, Rachel Dawes, fica a cargo da feinha Maggie Gyllenhaal (Mais estranho que a ficção). Por sorte, a insossa Katie Holmes, teria recusado interpretar a personagem que já havia feito em Batman Begins, por incompatibilidade de agendas. Outras duas atrizes que concorriam ao papel do grande amor de Batman, eram Rachel McAdams (Diário de uma paixão) e Emily Blunt (O diabo veste Prada), que obviamente são mais belas. O talento falou mais alto.

Como de costume, o Morcegão ainda conta com a indispensável ajuda, principalmente psicológica, de Alfred, seu mordomo, o sempre excelente Michale Cane. O realizador dos grandiosos e vanguardistas projetos de armaduras, customizações e engenhocas para que o super-herói combata o crime organizado de Gotham, ficam mais uma vez, a cargo de Lucius Fox (Morgan Freeman).

Eu poderia dizer que, enfim, Batman – O cavaleiro das trevas é um filme indescritível, mas estaria mentindo, afinal de contas, olhe para cima e veja o quanto dissertei sobre a fita. Mas o que posso mesmo elucidar é o fato de meu texto ser do tamanho da realização de Christopher Nolan e companhia. É um trabalho grandioso e sem falhas. Não posso me arriscar a dizer que é definitivo, porém tudo que pudesse dissertar sobre O cavaleiro das trevas, teria que o fazer no superlativo.

Melhor ator coadjuvante, Melhor direção de arte, Melhor fotografia, Melhor mixagem de som, Melhor edição de som, Melhor edição, Melhores efeitos especiais e Melhor maquiagem.

Especial Oscar 2009: Hellboy II - O exército dourado

Hellboy II - O exército dourado: efeitos de encher os olhos.

Seqüências de grandes sucessos cinematográficos são, em sua grande maioria, projetos extremamente delicados de se realizar. Contar com o mesmo elenco, ter o mesmo diretor no comando de uma segunda parte, e apoiar-se exatamente na mesma equipe técnica, são alguns elementos que podem ajudar, e muito, no sucesso de uma franquia. Caso contrário, o desastre pode ser eminente.

A lista de seqüências mal sucedidas na história do cinema é vasta. E em contra partida, se fôssemos colocar no papel a quantidade de segundas partes que tiveram êxito igual ou maior que sua antecessora, talvez uma página inteira não seria preenchida.

Neste segundo, e seleto, grupo de seqüências, podemos mencionar, com muito esmero HellBoy II – O exército dourado (Hellboy II – The golden army, EUA/ALE, 2008), continuação de Hellboy (2004), com previsão para chegar nas locadoras do país até o final desta semana, após grande êxito nas bilheterias de todo o mundo.

Adaptada das histórias em quadrinhos, pelo brilhante diretor espanhol Guillermo Del Toro (criador de O labirinto do fauno, ganhador de quatro Oscar), a segunda parte das aventuras do grandalhão vermelho (interpretado por Ron Perlman, de Em nome do rei) que dá título às fitas, é ainda mais incrível e consistente que a precursora, de quatro anos atrás.

Analisando Hellboy II - O exército dourado, a idéia que se tem é a de que, Hellboy foi apenas uma pequena introdução para um projeto ainda mais grandioso que hibernava nos confins da genialidade de Del Toro. Seria como uma apresentação do personagem, para que o grande público, não acostumado com as histórias em quadrinhos criadas por Mike Mignola, se conscientizar da existência de tal.

Nesta segunda parte, os efeitos especiais são ainda mais soberbos que na primeira. O super-herói continua o mesmo: desastrado, sem papas na língua e vivendo um romance, aos trancos e barrancos, com sua namorada pirocinética Liz Sherman (Selma Blair, de O banquete do amor), especialmente agora que o convívio se dá mais difícil devido à entrada de Johann, um detetive formado de energia, para o Escritório de defesas e pesquisas paranormais.

Assim como toda a história, a complexidade também chega aos vilões em O exército dourado. Além de enfrentar sua crise amorosa com Liz, Hellboy também passa por dificuldades perante o FBI, devido a uma aparição desproposital em público, que gera problemas ao órgão do governo, já que, até então, a população não tinha conhecimento da existência de seres como o super-herói.

Paralelamente a essas crises em sua vida, Hellboy, juntamente com Liz e seu fiel escudeiro, o aquático Abe Sapien (Doug Jones), o protagonista deve enfrentar príncipe Nuada, filho de Balor, o rei dos elfos da antiguidade, que há décadas havia construído um exército de ferro indestrutível, que dá nome a essa segunda parte, para combater os humanos. Com medo da destruição que o exército poderia causar, Balor resolveu dar trégua aos humanos, acordado que estes ficassem com as cidades, e os elfos com as florestas. Anos depois desta trégua, já nos dias atuais, o príncipe Nuada, a contra gosto de seu pai, e de sua irmão, princesa Nuala, resolve ressuscitar o exército dourado, para ter total controle da humanidade.

Com a ajuda do mesmo diretor de fotografia de O Labirinto do fauno, Guillermo Navarro, aliada aos efeitos da empresa Spectral Motion, as incríveis idéias de Del Toro resultam em cenas como a do mercado dos elfos, ou ainda à planta gigantesca que emerge do subsolo de Nova Iorque, e logo depois se desmancha em pólen, transformando a big apple em uma literal, “selva de pedras”. Imaginar estas cenas é apenas um aperitivo para um filme com tamanha beleza que enchem os olhos do espectador.




Melhor maquiagem.

Especial Oscar 2009 - Homem de ferro

Homem de Ferro: mais um grande filme adaptado das HQs.

Está mais evidente do que nunca que, histórias em quadrinho de grande sucesso, quando transportadas para as telonas, também levam créditos positivos, tanto por parte da crítica, quanto do público – conhecedor das aventuras em questão, ou não. As adaptações de HQs, como são carinhosamente abreviadas, que já podem ser consideradas um gênero dentro da sétima arte, e são sempre motivos de grande expectativa, principalmente por parte do público adolescente do sexo masculino.

Tomando como exemplo produções de nos fazer cair o queixo, como Homem-Aranha, Batman e X-men, finalmente aportou nas salas de cinema de todo o Brasil o filme de estréia do Homem de Ferro (Iron Man, EUA, 2008), um super herói não tão conhecido do grande público, mas extremamente exaltado pelos fanáticos por HQs.

Para quem não se lembra, ou nunca teve conhecimento do fato, uma grande maioria das histórias em quadrinhos pertence à editora norte-americana Marvel Comics. Até então, a editora não produzia seus filmes, apenas “terceirizava” essa parte do trabalho. Disse “até então”, pois, Homem de Ferro, personagem criado por Stan Lee (que sempre faz uma aparição especial nos filmes baseados em suas histórias), foi como um divisor de águas em dois aspectos simples, porém importantíssimos na carreira da Marvel.

O primeiro aspecto, é o fato de que, de agora em diante, quem toma conta das produções cinematográficas baseadas nas HQs, é a produtora Marvel Studios, afinal de contas, nada mais justo do que pessoas que realmente conhecem suas histórias a fundo, serem responsáveis pela realização de filmes com tamanha repercussão. O segundo aspecto, já que citei dois, é o fato de que o ser humano por trás do herói do filme, não é um nerd altruísta, como era de costume até então nas adaptações. Muito pelo contrário.

Anthony Edward Stark (Robert Downey Jr., de Santos de Demônios), é um bilionário da indústria bélica norte-americana, e dono de um ego sem dimensões. Definitivamente, quem vê Tony, como é apelidado, não diz que ele tem tino para ser super herói. Até mesmo quando ele se torna o homem de ferro, ele não o faz por simplesmente achar que é correto ajudar o mundo e baní-lo de todo o mau. Ele o faz por vingança, e claramente, por vaidade.

É evidente que o personagem de Downey Jr. só começa a agir diferentemente quando o dedo é colocado em sua ferida, aqui no caso, os próprios conflitos bélicos, que alimentam sua empresa. Apesar de inteligentíssimo, Stark não é, nem de longe, uma pessoa fácil de se lidar, e em conseqüência disso, um dos pouquíssimos ombros amigos em que ele pode se apoiar é sua assistente Virginia Potts (Gwyneth Paltrow, Oscar por Shakespeare Apaixonado), e o amigo Jim Hodes (Terrence Howard, de Awake - A vida por um fio).

Como em toda HQ, um vilão é sempre um caso de necessidade, certo? Creio eu, que até mesmo pelo fato de instigar o espectador, e dar mote a outras aventuras cinematográficas do Homem de Ferro (assista os créditos até o final e entenderá o que eu digo), um arque inimigo à sua altura não foi construído. Mesmo assim, temos que elucidar a existência de Obadiah Stane, o Monge de Ferro (o robotizado Jeff Bridges), um tipo de “semi-vilão” nessa história.

Além de todas as mudanças para a Marvel, mais um risco que foi corrido em Homem de Ferro, foi a direção de Jon Favreau, que tinha uma experiência muito mais ampla atuando, do que por trás das câmeras. De qualquer maneira, ele conseguiu, com grandes méritos, provar seu imenso talento se colocando à frente de um filme de peso como o fez. Bom para ele, e melhor ainda para a Marvel Studios, que à primeira vista, começou sua saga com um férreo, grande e pesado pé direito.






Melhor edição de som e Melhores efeitos especiais.

Especial Oscar 2009: O procurado

O procurado: cuidados para não comprar gato por lebre.

Pouco antes de comprar qualquer produto, eu me informo o suficiente para saber exatamente o que estou levando para a casa. Desde um alimento nas prateleiras do supermercado, até um analgésico disposto nos caixas rápidos de uma farmácia, a intenção é saber exatamente do que se trata aquele produto que habita a minha sacola. Com filmes, a base do pensamento é a mesma. Procuro saber ao menos um pouco sobre o que assistirei.

Assistir um trailer na Internet, ou ler alguma crítica bem feita que não possua spoiler já é meio caminho andado na saga por uma película que agrade. Não posso julgar meu modo de agir certo, ou 100% efetivo, mas creio que muitos poderiam, e deveriam fazer o mesmo.

Um conhecido meu diz classificar um filme como bom, ou de seu agrado, contando a quantidade de tiros, sopapos e sangue que aparecem na tela. E curiosamente, foi nesse exato conhecido que pensei quando assisti O procurado (Wanted, EUA, Alemanha, 2008), há uma semana em exibição nas principais salas de cinema do Brasil.

Há muito tempo, o primeiro filme de língua inglesa dirigido pelo russo Timur Bekmambetov (criador de Guardiões do dia e Guardiões da noite, franquia de maior sucesso na história cinematográfica da Rússia), tem gerado grande publicidade em torno de seu lançamento, que acabou sendo tardio por terras tupiniquins. E como conseqüência dessa demora, muitos o baixaram pela Internet, e diversos comentários foram feitos sobre a fita que teve como base a Graphic Novel de Mark Millar. Eu me reservei o direito de saber o mínimo possível sobre O procurado, para poder presenciar, nas telonas, tudo o que a fita tinha a oferecer.

Com elementos de série das histórias de super-heróis, tudo na vida do jovem Wesley Gibbons (James McAvoy, de Desejo e reparação) beirava o medíocre. Desde seu trabalho de submissão à uma chefe prepotente, às constantes traições de sua namorada com seu melhor amigo, Wes definitivamente se encontrava numa vida com futuro pré-determinado: o insucesso de todos os ângulos possíveis e imagináveis. Até conhecer a inebriante Fox (Angelina Jolie), que o apresenta A Fraternidade, uma sociedade secreta, liderada atualmente por Sloan (Morgan Freeman), que escolhe suas vítimas decifrando mensagens em um tear, tentando eliminar pessoas que se assemelham a um câncer da humanidade.

À partir deste encontro, Wes descobre que seu pai, um dos grandes fundadores da Fraternidade, foi morto há pouco por um desertor. Mas como bem sabe, nenhum valor na vida é agregado facilmente, e para entrar de vez para o grupo, Wes é treinado, com métodos mais do que subversivos, despertando assim as habilidades de seu pai, entre elas, atirar balas de revolver que fazem curvas, transcendendo as leis da física, e preparando-o para a tão aguardada vingança.

Pelo pouco conhecimento que possuo da Graphic Novel de O procurado, é fato que, mesmo com carta branca, o diretor russo teve suas limitações, e freou um pouco o enredo, principalmente em torno da tensão sexual entre Wes e Fox, que se limitou aos olhares de Angelina Jolie, e sobretudo em relação à brutalidade das cenas de ação, que não foram tão exacerbadas quanto poderiam ser – já que a fita é vetada a menores de idade.

O procurado é entretenimento descarado, assim como a grande maioria das fitas baseadas em HQs, portanto, procurar profundidade em uma película de seu calibre, é como encontrar uma gota de água doce num oceano – de sangue, claro.Já ouvi muitos destilarem comentários ruins sobre a fita, e até mesmo na sessão em que estava, um casal acabou por sair antes do término do filme. Ficou claro assim que, ao contrário do que dizia no começo do texto, eles, assim como tantos outros, acreditavam estar comprando gato por lebre. Informação é tudo. No âmbito da sétima arte, ela é primordial.

Melhor mixagem de som e Melhor edição de som.

Especial Oscar 2009 - Wall.E

Walle: coração humano em corpo de robô.

A saúde do planeta Terra é colocada diariamente em pauta, das mais diversas maneiras possíveis. Quando um furacão assola todos os habitantes de uma ilha, queimadas destroem mansões de Hollywood, ou ainda apagões deixam cidades inteiras à beira do caos, uma causa é sempre apontada como o início de todos os problemas: o homem. Dentro das possibilidades, alguns encaram a questão com seriedade, outros nem tanto.

À primeira vista, pode-se parecer um tanto quanto estranho e até mesmo questionável, mas a comparação que será feita adiante, terá o seu certo sentido. Assim como o assunto da preservação ambiental é pouco levado a sério, no meio cinematográfico, as animações são olhadas sempre com os cantos dos olhos. Sempre tidas com preconceito, como filmes para a criançada, imagino que já é hora do grande público perceber de uma vez por todas que, não são apenas os pequeninos que se derretem por um bom filme de animação.

Procurando atingir não somente esse filão “verde” de quem busca a incessante reabilitação do planeta Terra, juntamente com os apaixonados pelo mundo das animações, à produtora Disney-Pixar deu vida ao seu longa metragem de número nove, trazendo-nos a história protagonizada por WallE (idem, EUA, 2007), um simpático robô que tem como principal função, limpar todo o lixo deixado pelo homem na face do planeta.

Num futuro distante, para ser exato, no ano de 2700, a Terra, sobrecarregada de tanto lixo, não consegue mais comportar vida humana. A única solução encontrada pelo homem é a nave espacial Axiom, localizada na órbita do planeta. Enquanto a vida prossegue nas alturas, um grupo de robôs é criado para tentar fazer a limpeza e compactação dos resíduos deixados para trás. A idéia do homem de retornar à Terra no período de cinco anos, logo se estende para o status de tempo indeterminado.

O grupo de robôs, intitulados WallE não suporta as condições adversas do local e logo param de funcionar. Setecentos anos depois, apenas único exemplar do robozinho, no entanto, continua funcionando, e passa a vagar pelo planeta realizando a tarefa a qual ele foi programado para fazer. Nesse espaço de tempo, sua consciência e personalidade se expandem, assim como o interesse pela cultura de um povo que ele nunca conheceu e seu respeito pela vida – reconhecida por ele apenas na forma de uma pequenina muda de planta ou sua companheira, a baratinha de estimação, Spot.

Tudo na vida rotineira do robozinho muda quando, num dia comum, chega dos céus uma nave trazendo Eva, uma nova espécie de robô, mais modernizada e astuta, enviada para vasculhar a Terra, à procura de exemplares vegetais vivos, analisando assim a possibilidade de evolução da vida por aqui. A felicidade do protagonista, porém, dura pouco e, quando Eva é chamada de volta à estação espacial Axiom, WallE agarra-se a nave que a transporta para causar diversas confusões no espaço.

Sustentando o mesmo clima de despretensão que uma animação deve ter, WallE se utiliza do preconceito de que filmes assim, como este, são feitos para crianças, para elucidar a importância da preservação do planeta, com o perdão do trocadilho, plantando uma semente exatamente em terrenos férteis e puros, como a mente infantil, porém sem se deixar cair na quase inevitável banalidade do assunto.

Dirigida por Andrew Stanton (do esplendido Procurando Nemo), a animação, apesar de não ter tido grande bilheteria nos cinemas brasileiros - uma pena, diga-se de passagem – se mostra impecável, principalmente no quesito emoções. Se comparado ao pai do cinema mudo, Charles Chaplin, o protagonista aqui no caso, também deverá ter seu valor reconhecido por décadas já que, sem dizer nada além de seu nome e de sua amada, consegue se expressar de forma soberba.




Melhor longa de animação.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

:: Cheiro de Verão, embora sem sol ::

Estação atual

Quem realmente me conhece sabe que não tenho grande admiração por produtos nacionais quando falamos de cheiros. Perfumes, cremes, body splash, sabonetes, enfim, suprimentos essenciais para higiene pessoal, e por que não, um bom cheiro e consequente convívio em sociedade, afinal de contas, mau cheirosos, ao menos para mim, nunca são bem-vindos!

De todas as estações do ano, a que menos gosto é a atual: o verão! Já disse isso em textos do meu outro blog. O verão tras uma série de coisas ruins. Não suporto passar calor, e não há nada que faça-o passar. Aliás, há, duas coisas, que não tenho disponível a todo momento: ar condicionado e uma bela piscina! Além disso, as pessoas ficam muito mais bonitas no inverno, um bom banho quente, uma bebida igualmente cálida e várias blusas dão resultado.

Mistura desastrosa?

Mas apesar destes dois porém dos paragrafos acima - o verão e produtos nacionais - o Boticário resolveu inovar neste verão, e aproveitando a estação, suas frutas, e sua necessidade maior cuidado com a higiene, lançou a linha FUN de seus produtos mais autênticos, até então. Não tinha conhecimento da linha, até que a Lu - minha namorada - chegou com um folheto em casa, bem empolgada em ir atrás de uma raspadinha de limão para banho (?). Como meu aniversário foi dia 13, ela acabou me dando dois produtos da nova linha, e ainda por cima, comprou um pra ela experimentar também. Entçao, seguem abaixo as impressões sobre os produtos que até agora tive a oportunidade de "provar" - com o perdão do trocadilho!

Os produtos

Loção corporal raspadinha refrescante de limão

Esse foi o que a Lu comprou pra ela, mas claro, acabei experimentando em mim. Para utilizar, basta chacoalhar por cerca de trinta segundos, virar o frasco de ponta cabeça e pressionar a válvula. Depois é só espalhar a espuma pelo corpo. A sensação é realmente muito refrescante, e o mais engraçado é a efervescência do produto. O cheiro é extremamente agradável - assim como dos outros dois que usei. O único contra deste é que a absorção que não é lá muito boa, deixando a pele um pouco grudenta. R$ 29.90

Sabonete cremoso para banho Chantilly

Este foi o primeiro que ganhei e provei. A consistência do produto é de um chantilly mesmo. Para usar, basta chacoalhar o frasco um pouco, e pressionar a válvula, despejando o produto na mão, ou esponja e passar no corpo. Ao contrário do confeito, o sabonete não é gorduroso, sai facilmente e tem um cheiro delicioso. Pena que dá a sensação de que via acabar rápido. R$34.90




Soda Splash

Um dos que eu mais gostei foi esse body splash soda. Pra quem não sabe, o produto é como se fosse um creme corporal, mas ao invés do formato padrão, ele é líquido, na consistência de um perfume. Basta borrifar um pouco sobre o corpo e espalhar. Alguns dizem que passar as mãos para espalhar altera o cheiro, o que é bem verdade, portanto é melhor apenas borrifar após o banho e colocar uma roupa, pra sentir a refrescância do produto. O cheiro é bem semelhante ao chantilly para banho. Fora isso, ainda há o fator peles boas, e ruins para cheiros e produtos aderirem. A minha é boa, e odor permanece por um bom tempo, mas em outras, pode ser que a fragrância não dure muito mais que umas horas. R$ 39.90

Então é isso por hoje. Finalmente a estação trouxe alguma coisa de bom - pelo menos pra mim. Quem se interessou, é bom correr pra comprar, pois a linha do Boticário é limitada, e pensando no custo-benefício, vale a pena, já que os produtos duram bem.

Até a próxima.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Micón: made in Rep. Dominicana!

Current mood: ok.


Eu sempre me pergunto qual o motivo que os pais têm para fazerem sempre as MESMAS piadinhas infames na frente de qualquer pessoa? Why, God? Why? Especialmente meu progenitor consegue superar talvez qualquer pai de qualquer pessoa que venha a ler as baboseiras que escrevo por aqui - ou que pelo menos tenho tentado escrever!


O mico pelo qual ele me faz passar agora atravessou o limite das fronteiras nacionais, y se cambio intenacional! Sendo mais específico? Minha amiga Gi conheceu um jogador de futebol peruano, que reside na República Dominicana. Papo vai, papo vem, e o garoto, Victor, resolveu fazer uma rápida visita à ela, aqui no Brasil.


Victor é uma extraordinária persona. Simpático, inteligente, extremamente gente buena mesmo. Como falo um pouco de espanhol, pelas minhas curtas passagens pelo México e Argentina, e por alguns poucos anos de estudo da lingua latina - que me lembro, foram dois, ou seriam três?! - quem mais entende o muchacho, e habla con el em tempo integral soy yo.


De passagem para me entregar as chaves do carro, acabei apresentando meu pai e minha mãe para o peruano. Como meu pai também tem um certo histórico com a lingua espanhola - ou catellano - já que morou quase dois anos na Argentina, ele resolve fazer uma piada completamente sem graça para Victor.


Segue a conversa:


Eu: Victor. Mira, este es mi papa, y esta es mi mamá.
Victor: Hola! Mucho gusto!

MEU PAI: Esto es lo que ella dije.

Victor: Ãh?!


E eu, com minha paciência de monge, faço o pior que uma pessoa pode fazer: pior que contar uma piada sem graça, é EXPLICAR a piada sem graça. E pior que explicar uma porcaria de uma piada sem graça, é explicá-la en español!kkkkkkkkkkkkk... Ai gosh, onde fui amarrar minhas origens!


Eu: Victor, es una broma. Como que el no supiera si soy o no el hiro de el. De ella, no hay como no saber, comprendes?

Victor: Ai, cómo no? jejeje (a risada é puramente sem graça!)


Enfim, foram as únicas palavras de papá, mas foram assim, pra deixar a saia justa, mais do que apertada!


Currently listening: Konk, by The Kooks.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Marley e eu: amores e dissabores ao lado do pior cão do mundo.

Current mood: happy.


















Por diversas vezes teimo em dizer que algumas características nas pessoas não devem ser tomadas como virtudes, e sim como obrigações: a honestidade, por exemplo, é uma delas. A fidelidade também é outro elemento indispensável em qualquer boa relação. Quem já não se decepcionou com traições por parte de amigos, parceiros de trabalho, e até mesmo familiares, por conta da falta de lealdade?

Desde os primórdios, temos os cães como a maior referência de lealdade para com nós, seres humanos. Eles não precisam de luxo, de riqueza ou conforto. Para os cães, qualquer tipo de alimentação e um afago carinhoso no topo da cabeça, são suficientes para que eles guardem sua vida, como se fosse dele próprio. Isso é lealdade: retribuir com a vida, o pouco que lhe foi dado.

Atrapalhados? Definitivamente sim. Porcalhões? Um pouco, talvez. Irracionais? Nunca. Assim são os cães. E assim é Marley, um cachorro especial, que nos presenteou, no dia de Natal, com a estréia da adaptação do best-seller do jornalista americano John Grogan, Marley e eu (Marley & me, EUA, 2008), onde este conta a incrível relação de amor e ódio ao lado do “pior cão do mundo”.

Lembrando um ditado um tanto quanto cafona, mas pertinente, “quem casa, quer casa”, correto? E uma casa, obviamente só se torna um lar, com a presença de um fiel escudeiro: o cão. Assim é o início de toda a história de vida dos jornalistas John Grogan (papel de Owen Wilson, Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor) e Jenny (Jennifer Aniston, Separados pelo casamento).

Recém instalado em sua nova casa de Miami, Flórida, John, orientado por seu atrapalhado colega de trabalho Sebastian (o Dr. Mark, de Grey’s anatomy), tenta afastar a idéia de Jenny ter um filho – tão cedo, segundo ele – presenteando-a com um filhote da raça labrador, elemento que a distrairia por um certo tempo, até que a estabilidade pudesse levá-los a realmente pensar em um bebê.

O que John não imaginava é que o pequenino filhote, dentro de alguns meses, se transformaria em um enorme e encorpado labrador de 43 quilos, cheio de vontade de destruir tudo que vê pela frente, desde seu pote de comida, até sapatos e sofás.

O diretor, David Frankel, que já havia acertado em cheio em O diabo veste Prada, outra adaptação literária para os cinemas, acerta a mão novamente em Marley e eu. Assim como no livro de John, obviamente mais detalhado do que a película, até mesmo pelo curto tempo de um filme, a avalanche de emoções encontradas entre a incrível fenda entre o riso e o pranto – escrevo com conhecimento de causa, dão um toque especial à história.

Tendo isso em mente, Frankel aproveita extremamente bem, tanto o timming para a comédia, por parte de Wilson, quanto os toques de dramaticidade que Jennifer Aniston consegue incorporar na personagem, por diversas vezes severa, de Jenny, mantendo assim a sinceridade de emoções anteriormente proposta por Grogan nas páginas de Marley e eu.

Claramente a película não substitui uma boa leitura, que no caso aqui, digo eu, deveria ser obrigatória, mas acaba por ser um complemento de uma história recheada de outros tantos eventos hilários que permeiam a vida do pior cão do mundo, como quando Marley tenta ser colocado na linha pela Sra. Kornblut (papel de Kathleen Turner), sem sucesso algum, e ainda acaba por se atracar com as pernas da dura treinadora.

Talvez como um cão, propondo aqui o melhor sentido da palavra, o diretor David Frankel treinou fielmente sobre as páginas que relatavam a mais intocável história entre um homem e seu cachorro, suas afinidades e diferenças, seus amores e dissabores, sua vida e sua morte, dando a Marley e eu, o tom da mais bela história de fim de ano. História essa que está longe de ser um conto de fadas.


Currently listening: The black parade, by My Chemical Romance.

... Vergonha na cara é essencial ...

Current mood: happy.

Finalmente resolvi tomar vergonha na cara e mudar definitivamente de blog. Por causa de uma infeliz mudança que o Terra fez no modo de postagem, layout entre tantas outras características, resolvi entrar para o Blogger, e ver qual é a do site. Espero que a parceria seja de longa data, e que os serviços prestados estejam à altura do esperado, okie dokie people?
Que sejam todos bem-vindos ao meu novo blog, que mudou só o layout, mas continuará com o mesmo conteúdo de sempre: muita acidez nos textos, muita musica, cinema, um pouquinho de séries, problemas e divagações que qualquer outro ser humano poderia ter receio de comentar, vocês vão encontrar por aqui.
Sendo bom, ou ruim, opinião própria é necessidade.
Ivan Chagas.