sexta-feira, 27 de março de 2009

Simplesmente feliz: rir de tudo é desespero.

Se existe um gênero de filme que eu abomino é aquele que cria um personagem apenas para irritar os que vivem ao seu redor. Figuras como a de Jack Nicholson irritando Adam Sandler em Tratamento de choque, ou do gordinho que vivia Bruce Willis quando criança irritar sua personagem adulta em Duas vidas simplesmente não deveriam ter saído do papel para perturbar nossas vidas.

Outro gênero que particularmente não me agrega nada é o humor britânico. É evidente que pessoas cheias de pompa e compostura simplesmente não nasceram para serem engraçadas. E é assim que esse gênero trabalha: tenta arrancar gargalhadas de situações sem um pingo de graça.

Juntando os dois elementos acima, temos Simplesmente feliz (Happy-go-lucky, ING, 2008), fita que estréia hoje nas salas de cinema do Brasil e conta a história de Poppy (Sally Hawkins, que ganhou seu primeiro Globo de ouro de melhor atriz de comédia neste ano), uma professora primária de Londres, que vê absolutamente tudo que acontece em sua vida pelo melhor ângulo possível.

Adepta de lemas como “feche os olhos e dance como se ninguém estivesse te vendo”, aos trinta anos, dividindo apartamento com uma amiga, Poppy não sabe o que esperar da vida, além de curtir cada dia como se fosse o último de sua existência na Terra.

Se sua bicicleta é roubada, ela sorri e diz “que é uma pena não ter tido tempo de se despedir da coitada”, e para solucionar o problema, a moça resolve ter aulas de direção. O problema é que Scott, seu instrutor é o completo oposto da garota, ou seja, a pessoa mais infeliz da terra da rainha. Sem delonga, o condutor chafurda em seus sentimentos mais controversos, não sabendo se o que sente por Poppy é um imenso ódio por sua felicidade constante, ou se está cada vez mais apaixonado pelo jeito amalucado da aluna.

Alheia às reais pretensões do instrutor, Poppy se envolve com o assistente social Tim quando este é chamado na escola onde a professora trabalha, devido a um problema com um de seus alunos. Mais uma vez ela acaba extraindo um lado bom de uma situação nada confortável.

Apesar da tamanha irritabilidade que a personagem de Sally Hawkins cria no espectador, ela não parece se importar em mesclar felicidade com inconveniência, e com a persistência de um palhaço para retirar risos de crianças, Simplesmente feliz chega até a agradar na metade final da fita, quando finalmente adiciona um pouco de drama à sua história, e se torna uma personagem mais humana.

Levando ao pé da letra seu título em inglês - happy go lucky, significa uma pessoa otimista - ser uma pessoa positiva e feliz, definitivamente é valido na arte de viver. Tentar extrair coisas boas, até mesmo de experiências ruins, também vale muito para um crescimento pessoal, mas, parafraseando Frejat em uma de suas canções, realmente tem-se que discernir que “Rir é bom, mas rir de tudo é desespero
”.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Cinema 3D - Uma experiência macabra.

Crítica - Dia dos namorados macabro 3D

Existem alguns elementos que para sempre irão nos remeter a um mundo repleto de modernidade e tecnologia . O teletransporte é um sonho de consumo de muitos. Evitaria trânsitos, atrasos, e até mesmo acidentes. Televisão portátil segue no mesmo molde. Conseguir ver seu programa preferido enquanto está em uma viagem, ou em um barco no meio do Pacífico, ou ainda parado no meio do trânsito, exatamente por não ter teletransporte!

Enfim, poderia enumerar diversas situações que seriam salvas com uma tecnologia pioneira, mas venho mesmo é falar de uma tecnologia já um pouquinho antiga, mas que parece estar de volta, dessa vez com força total: o cinema 3D.

Eu não me recordo de ter visto um filme em 3D desde os tempos da primeira parte de Jurassic Park – Parque dos Dinossauros, com aqueles óculos polarizados, feitos de papelão, com uma lente de papel celofane azul e a outra vermelha, e que, mais dava vertigem do que realmente fazia algum efeito em terceira dimensão.

Recentemente a rede de cinemas americana Cinemark começou a implantar salas especiais e que traziam de volta o tal 3D. Não me empolguei, pois achava que seria igual da outra vez: tudo muito amador. Ledo engano.

Essa nova leva de filmes em terceira dimensão já nos trouxe títulos como Viagem ao centro da Terra, Bolt – super cão, Coraline e o mundo secreto e Os mosconautas – No mundo da lua. Agora, o Cinemark 3D tem uma grande novidade: uma película de terror, exatamente com essa tecnologia moderna (tudo bem, teve Scar - A marca do mal, mas foi fraco, então não contaremos como experiência válida).

A refilmagem de Dia dos namorados macabro (My bloody valentine, EUA, 2009), um filme de terror teen canadense do início da década de 80, traz exatamente a mesma historinha sem graça que o original. Um grupo de jovens, dez anos depois de um massacre no dia dos namorados, dentro de uma mina de carvão, volta a ser atacado pelo assassino do passado, o qual a polícia supostamente havia exterminado.

Sem grandes nomes, atuações e bons motivos, a fita, com pouco mais de uma hora e meia de duração, empolga mesmo apenas pelo fato de ser realizada completamente em 3D. Na trama, o algoz Harry Warden, por trabalhar em uma mina de carvão, se utiliza constantemente de uma picareta para massacrar suas vítimas.

Os óculos “emprestados” pelo cinema são semelhantes àqueles da Ray-ban que todo moderninho que se preze hoje em dia usa pra sair na balada – e que eu, particularmente, acho o cúmulo da cafonice. Totalmente preto, e mais largo nas bordas, ele cabe perfeitamente por cima dos óculos de grau, para pessoas – como eu – que não utilizam lentes de contato.

Fogo, sangue, picaretas voando e até mesmo armas perfeitamente apontadas para o expectador fazem de Dia dos namorados macabro 3D, uma experiência pra lá de divertida. Mas vá preparado para pagar um pouco – só um pouquinho – mais, afinal de contas, a tela especial e os óculos alugados, também têm seu preço. A fita estreou dia 13 deste mês, portanto, quem ainda não viu, tem algumas semanas pela frente para provar um pouco da volta dessa tecnologia tão intrigante que é o cinema em terceira dimensão.

terça-feira, 24 de março de 2009

Ja conhece? - She & Him

A cada dia, me aparecem exemplos pela frente que confirmam a minha suposição: algumas pessoas nascem com a STI – Síndrome do Talento Infinito. Artistas que saem do cinema para tentar a carreira na música, e mais comumente cantores e cantoras que migram dos estúdios de gravação para os grandes sets das telonas acabam se tornando regra, ao invés de exceção.

Essa semana mesmo ouvi rumores de que O guarda-costas poderia ganhar uma refilmagem, e que, no lugar da já acabadérrima Whitney Houston os produtores pensavam (ou não!) em colocar a full-time sexy mama life style Rihanna. A minha reação? “Wha da fuck?”

Enfim, não estou aqui pra dar notícia ruim, e sim para pinçar algo que dá certo na transposição cinema-musica-vice-versa e jogar pro pessoal tentar conhecer – para aqueles que nem sabem da existência – e para os que já ouviram falar, tentarem descobrir um pouco mais sobre...
She & Him.

Sim, She & Him – na tradução para o português: Ele e Ela, é uma dupla de...dou um doce pra quem adivinhar?! Um homem e uma mulher! Ohhhhhh... Agora, convenhamos, apesar de óbvio o nome da dupla, ao mesmo tempo, soa para mim, algo tão bobamente original que já me derreto pelos integrantes apenas pelo nome da banda! Eu sei...
too much!

Enfim, vocês devem estar se perguntando: mas aonde entra o cinema nessa história toda? O caso é que o She & Him é composto pela graça de menina Zooey Deschanel e pelo estiloso músico M. Ward, que desde sempre tem tentando sucesso na música, participando de diferentes maneiras em álbuns de pessoas conhecidas do grande público, como Cat Power e Norah Jones, mas sem grande êxito numa carreira solo.

Já Zooey é atriz desde que se entende por gente. Passando por filmes como Quase famosos, Tin Man, e a bomba Fim dos tempos, ela finalmente conseguiu unir um pouco de suas duas carreiras na engraçadissima comédia Sim Senhor, ao lado do ator Jim Carrey, com quem faz par romântico impagável.

A música do She & Him é única. Bebe de fontes como o country, blues, mas pode ser tomada basicamente como um folk pra lá de estiloso. Muitas vezes melosa e esganiçada, a voz de Zooey parece ser de alguém que não tem a menor idéia do que está fazendo atrás de um microfone, muito menos entoando canções tristonhas. E a graça? A graciosidade está exatamente nisto: em She & Him não se levar tão à sério como deveria.

Isso você pode ver no primeiro clip da dupla, da canção Why do you let me stay here?, tosco ao extremo, mas completamente despido de auto-piedade. A música do clipe citado, juntamente a balada quase havaiana de I should have known better, e a semi-acapela de You really gotta hold me formam a trinca das minhas canções preferidas do álbum de estréia do She & Him, que simples e direto como o nome da banda, foi intitulado Volume One.

Para quem quiser conferir o som do She & Him, o visual meio retro folk chique e a beleza hipnotizante de Zooey Deschanel, provem um pouco ou a página do myspace ou o site oficial da banda.

Myspace:
www.myspace.com/sheandhim
Site oficial:
http://www.sheandhim.com/

Dez filmes sobre a arte de segurar um microfone!

Por menor que seja a parte que o Jornalismo, minha real profissão, ocupe a minha vida – estou tentando mudar isso, eu juro – eu ainda me sinto um moleque com vontade de segurar um microfone, colocar uma câmera nas mãos, abraçar o mundo e transformar a verdade numa simples notícia.

Claro que o cinema e as críticas que este mesmo me proporciona nunca, jamais desocuparão lugar na minha agenda, muitas vezes apertada.

Tentando juntar essas duas paixões, e também minha terceira paixão que são as listas, acabei relacionando abaixo dez filmes que têm a profissão de jornalista como mote principal. Sendo eles bons, ruins, terríveis, dramáticos ou aterrorizantes, eles elevam a minha profissão ao status de herói da verdade.
Enjoy it!


1 – O quarto poder
2 – REC
3 – A caçada
4 – O informante
5 – Quase famosos
6 – O diabo veste prada
7 – Capote
8 – O show de Truman
9 – Cidade de Deus
10 – Frost/Nixon


Se você se lembrar de algum filme, seja ele bom ou ruim, mas que esteja relacionado com a minha profissão, anote aí no comentário pra quem sabe, ele entrar em uma próxima lista!

(?) Não, eu não vi Cidadão Kane, nem Todos os homens do presidente, nem O povo contra Larry Flint, e me envergonho disso! Deixei muitos de fora, como Boa noite e boa sorte ou Chegadas e partidas por serem extremamente chatos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ja conhece? - James Morrison

Se existe uma maneira de desmerecer uma banda ou cantor, é colocar seu estilo musical como “pop/rock”. Já ouviram aquela velha história:

- Nossa, vâmo bombá na balada hoje que vai tocar uma banda superboa!
- Sério mesmo? Que tipo de música?! Só não me fala que é pagode, hein, miga?!
- Que nada, fica sussa que é poprock!
- Ah! Beleza, bora chamá a galera!

Não existe nada mais deprimente que um rótulo poprock tudojunto pra (des) classificar um artista. Sinceramente, é o típico J. Quest lifestyle (com o perdão de citar os caras. Eu gosto deles). Mas são simplesmente aquelas pessoas que não se contentam nem com o pop, e tão pouco me parecem duronas ou competentes o suficiente para fazerem um bom rock.

Como toda história tem suas exceções, aqui vai uma destas de dar orgulho de comentar.

James Morrison, cantor britânico e, coincidentemente, de mesmo nome de Jim Morrison – sim, ele mesmo, o vocalista do The Doors, que tem como nome de batismo James Douglas Morrison – é o que podemos classificar como um cantor que sabe honrar o nome do poprock atual.

No post abaixo coloquei Jason Mraz no “Já conhece” da semana, mas como não consegui esperar até a semana que vem para fazer mais um post destes, vejo que agora é a vez de James Morrison, 25 anos, cantor da terra do Big Ben, despontar por aqui.

Nascido e criado na pequena Rugby (o mesmo nome do jogo semelhante ao futebol americano), James, desde os cinco anos de idade, já se interessava por música, mas só aos 13 é que realmente começou a levar seu interessa mais à sério, por persistência de um tio, que via grande talento no garoto autodidata.

Sempre compondo suas próprias canções e após testes e apresentações para produtoras, James conseguiu em 2006 gravar seu primeiro álbum, Undiscovered. O resultado? Um trabalho simplesmente impecável.

Por sua voz ser extremamente grave – o que deve dificultar o trabalho com o artista, colocando-o no tom correto – o resultado poderia ser um desastre. Pensem em Daniela Cicarelli gravando algo! Mas o tom perfeito, aliado a letras recheadas de situações onde amor e ódio caminham lado a lado, simplicidade instrumental, sem perder o requinte na produção, fazem de seu álbum de estréia algo realmente sublime, daquele tipo de CD em que nenhum faixa necessita ser passada à frente.

Claro que títulos como You give me something (tema da novela global Belíssima), Wonderful World, Call the police e This boy se sobressaem aos outros, não menos bem realizados.

Nas paradas brasileiras, o cantor está em evidência com a excelente canção Broken strings, um dueto que compartilha com a bela Nelly Furtado, e primeiro single de seu novo trabalho Songs for you, truths for me, que ainda traz a canção Precious love, na minha opinião, uma das melhores canções de sua, ainda, breve carreira.

Ainda recente no meio artístico, James Morrison parece ter para dividir com o público, muito mais do que apenas um nome famoso. Talento nato, letras de garbo, produção de ponta e um público alvo jovem, são elementos praticamente mágicos para um cantor na idade de James e na atual situação de defasagem em que o meio artístico se encontra. Agora que Morrison foi “discovered”, com o perdão do trocadilho, é esperar que a rádio não corrompa sua carreira promissora, repleta de belas canções.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ja conhece? - Jason Mraz

Em tempos onde os artistas pop se utilizam cada vez mais de efeitos sonoros sintetizados, se deparar com um cantor que realmente faça boa música pura e simplesmente com o dom que lhe foi garantido, é coisa rara.

Mesmo em meio à essa crise de identidade e criatividade, algumas surpresas acabam aparecendo no tortuoso caminho pela busca de algo novo. Dessa vez a surpresa tem nome, e ele é Jason Mraz.

Ainda que com poucas canções alçadas ao primeiro lugar de paradas de sucesso do mundo todo, o cantor e compositor norte-americano de 32 anos já carrega três álbuns gravados em sua bagagem. Com um estilo sem rótulos, ele flerta com gêneros desde pop ao reggae, passando pelo folk e até mesmo temperando essa salada toda com um pouco de jazz.

Finalmente descoberto pelas rádios brasileiras no início deste ano, Jason Mraz tem o hit I’m yours, single de seu último álbum We sing, we dance, we steal things, tocando insistentemente na freqüência FM do nosso país. Para os mais desavisados, o início da canção pode passar como um novo trabalho do cantor havaiano Jack Johnson, devido à calmaria e simplicidade dos tons, apesar da grande diferença vocal entre ambos.

As canções Lucky e Details in the fabric, onde Jason divide os vocais consecutivamente com Colbie Cailat e James Morrison (cantor que também merece um breve Já conhece?), também integram seu álbum de 2008, que alcançou o terceiro lugar no top 200 da Bilboard – local mais alto alcançado por um trabalho do cantor.

Muitas cordas de violão e guitarras afinadas, bateria seca, uma voz que não surpreende, mas faz muito bem o trabalho que tem de ser feito, e letras velozes dão o tom ao excelente trabalho de um cantor pop, no melhor sentido existente para a classificação (e não rotulação).

Para quem gostou, não deixe de conferir também as canções You and I both, The remedy (I won’t worry), Too much food, ótimos exemplares do trabalho que Jason Mraz vem realizando e que contribuem bastante para a salvação do bom pop/reggae/ska/folk...