quinta-feira, 21 de maio de 2009

Elementar, meu caro Watson...

Desde que o fantástico mundo do cinema entrou na minha vida, me tornei cada vez mais severo com criticas e mão de vaca em dar boas notas aos filmes que assisto. Isso eu não nego, mas também não tenho orgulho em admitir. Apenas o faço.

Também não sou de ficar elogiando à torto e à direito atores, atrizes, diretores e produtores dos bons filmes que vejo. Quando o faço, você, leitor, pode ter a mais plena certeza de que vale cada segundo, de cada minuto, de cada hora vivida – e não desperdiçada – na frente da tevê, ou na fila do cinema.

Sou simplesmente fascinado pelos trabalhos de Darren Aronosfky e Danny Boyle. Sempre fui, e sempre serei. Mas se tem um outro diretor que me faz querer viver uma boa experiência cinematográfica, seu nome é Guy Ritchie.

Com Snatch ele me fez mudar a visão de cinema atual, pop, fresh. Com jogos, trapaças e dois canos fumegantes – que infelizmente vi depois do já citado – Ritchie atestou para mim a que veio. Se me fez decepcionar com Revolver, seja pela bizarrice de suas cenas, ou pela pseudo intelectualidade a qual ele leva o espectador, toda a minha ira foi sanada por Rock’n’Rolla.

Mas se me permitirei idolatrar o trabalho desse jovem e visionário diretor inglês, só o resultado do que vem abaixo poderá me dizer. Por hora, eu apenas me limito a um tolo e embasbacado espectador que acredita que um trailer diz o que um filme realmente é. E espero, que assim seja.

Sherlock Holmes, com estréia prometida para 08 de Janeiro de 2010 e tem no elenco Robert Downey Jr., Jude Law e Rachel McAdams.





quarta-feira, 13 de maio de 2009

Espírito de porco!

" Não me preocupo. Não como isso"
Paris Hilton, herdeira de rede de hotéis, que se julgava imune à gripe suína.


"Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum."
José Serra, governador de São Paulo.

Perante todo esse pânico e medidas extremas que a mundialmente disseminada gripe suína vem desencadeando para vida de todos, é fato que algumas pessoas minimamente famosas acabariam dando seu parecer responsável de “formadores de opinião”.

Tendo em vista as, já célebres, frases acima, eu me questiono:
Bem, Paris é... enfim, Paris. Mas José Serra, homem digno da política brasileira, esclarecido, inteligente, experiente, estaria tentando explicar para a socialite americana as medidas de segurança a serem tomadas para se ver longe do problema da gripe?

É, mesmo de brincadeira, até explicar que focinho de porco não é tomada...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Crítica de cinema - A troca

A troca: uma mãe sem um corpo do filho para enterrar.

A beleza, indiscutivelmente, é uma das principais portas de entrada para o hall da fama dos atores de Hollywood. Personalidades como Tom Cruise e Brad Pitt, que ainda hoje são apontados pelo público feminino como sinônimo de perfeição, tiveram seus nomes reconhecidos pura e simplesmente pela estética, deixando os valores dramatúrgicos como plano de fundo.

Uma das atrizes mais belas do mundo, a sul–africana Charlize Theron, de fato também conquistou fama e fortuna apoiada em sua beleza indescritível, que teve de deixar de lado, engordando quase vinte quilos, e se “enfeiando” a base de muita maquiagem para conquistar o Oscar, em 2004, pela excelente personificação da assassina em série lésbica Aileen Wuornos, em Monster – Desejo assassino, filme baseado em fatos reais.

Analisando o caso das três estrelas citadas acima, temos também a contra partida de que, por muitas vezes, a beleza atrapalha um ator, deixando-o estigmatizado apenas como um rosto a ser exibido, sem talento algum para mostrar.

Assim também ocorreu com Angelina Jolie, considerada por muitos a mulher mais sexy do planeta e que, por diversas vezes, enfrentou dificuldades para abandonar a imagem de mulher fatal, e mergulhar em papéis mais profundos. Sua última investida foi em A troca (Changeling, EUA, 2008), filme baseado em fatos reais, já disponível nas locadoras nacionais.

Dirigido pelo magistral ator e diretor americano Clint Eastwood – Oscar por Menina de Ouro e também realizador do suspense dramático Sobre meninos e lobos – a película, ambientada na Los Angeles de 1920, conta a história da mãe solteira Christine Collins (Jolie), que após sair de casa rumo a mais um dia rotineiro no trabalho como telefonista, se depara com a falta de seu filho Walter de nove anos, quando retorna ao lar.

Sem ter para quem apelar, Christine pede ajuda à Policia Local, que meses depois encontra Walter e o devolve à mãe. O “pequeno” problema é que, Christine afirma em alto e bom tom que aquele garoto não é seu filho desaparecido, deixando o Departamento de Polícia de Los Angeles – DPLA – com má reputação perante a mídia e os civis.

Acusada de louca, a telefonista passa por maus bocados em um emaranhado de tramas paralelas que correm e chegam ao mesmo motivo: o seqüestro do garoto Walter. Presa, torturada e desacreditada, Christine conta apenas com o reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich, de Queime depois de ler), que além de suas pregações e seu papel na igreja católica, também possui um programa de rádio, onde critica as más atuações do DPLA.

Prestes a completar 79 anos, o diretor ganhador de 4 estatuetas douradas, parece possuir fôlego e competência redobrados, quando comparado ao início de sua carreira, no gênero Western.

Os detalhes e cuidados com a reprodução de um ambiente dos anos vinte são de encher os olhos. Muitas colorações sépia, marrons e acinzentadas, para dar o ar de antigo a bondes, carros, prédios, casas, ruas, avenidas, e principalmente figurinos são de impecável perfeição, e funcionam extremamente bem ao transpor o espectador para a dramática história.

Liderando a rédeas curtas uma Angelina muito mais sóbria – afinal o papel é de época – e preenchida de angustia em não encontrar o filho, e pior, ter sua sanidade colocada em duvida, Clint conseguiu fazer com que a atriz não apenas expusesse seus dotes dramáticos, mas também a fez abocanhar uma indicação como melhor atriz para o Oscar deste ano.

Angelina Jolie não levou a estatueta, mas com seu papel em A troca, provou que o belo, apesar de ser extremamente fundamental para ingressar em um meio de sucesso como é o cinema norte-americano, está longe de ser a principal causa de sustentação de um ator neste meio. Beleza é um bom começo, mas o talento se mostra cada vez mais fundamental para o sucesso.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Alô? Senso? Não me deixe na mão!

Não sou modelo, aliás, estou a milhas de distancia de ser uma pessoa que causa influencias na moda, estilo ou comportamento alheio, e da massa brasileira. Em meus relacionamentos, jamais procurei numa mulher, os estereótipos que fazem as Hollywood girls parecerem todas as mesmas, com seus louros platinados, bronzeado californiano e dentes cegantemente brancos. O diferente me atrai.

Mas apesar de ser relativamente tolerante para estilos, manias e maneiras de ver o lado bom em quem está comigo, uma coisa sim, procuro numa mulher, e sei que minha atual namorada tem de sobra: senso. Senso de como se comportar em uma reunião de amigos, em uma balada lotada, em um passeio ao shopping num domingo qualquer, à mesa num almoço de família, entre quatro paredes, sempre tirando o máximo de proveito do que sua inteligência e, principalmente o seu corpo lhe propiciam.

Digo isso porque tenho a leve impressão de que as mulheres em sua grande maioria, insistem em entrar num manequim 36, quando o seu adequado seria um 38, quando não um 40. Dica: se você não tem uma genética de bulímica, não passa fome e se mata na academia oito dias por semana, ou é triatleta profissional, em suma, você é uma mulher normal, com seus pneuzinhos ou pequenas pochetes naturais atreladas na região abdominal, pense em, ao menos, usar uma calça que te sirva BEM.

É aquela velha história: Um peito pulando pra fora, pode até te ajudar a conquistar algo que deseja, já um pedaço de torresmo gritando “me deixa sairrr!!!”, ali do lado da sua cintura – ou da falta dela! – pode te levar ao lugar onde você menos gostaria de estar: o hall dos ridículos!

Toda essa história e lição de moral, moda e comportamento vem de onde? Da fila dos Correios, onde, hoje, às três e meia da tarde, eu me sentei para esperar por mais de trinta minutos a minha vez de ser chamado e poder enviar dois Sedex para São Paulo, e enquanto isso, fui presenteado com uma cena lamentável: uma mulher completamente sem noção do ridículo ao qual se expusera, lutava contra as leias da física para caber em uma calça de, no mínimo, três ou quatro tamanhos menores do que aquele que, de fato lhe serviria bem, e não contente em não entrar na calça, ainda deixava aparecer a calcinha para fora que levava o escrito PROEZA em diversas formas e tamanhos.

Era isso. Um desabafo do bom senso. Obrigado e tenham um bom dia!

sábado, 2 de maio de 2009

Crítica de cinema: Um homem bom.

Um homem bom: até aonde a ingenuidade convence?

Se existe um tema que está em alta nas grandes produções cinematográficas dos últimos tempos, esse tema é o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também conhecido como Partido Nazi, ou Nazismo. Instaurado na Alemanha pelo ditador de origem austríaca, Adolf Hitler, o regime teve inicio em 1933, perdurando no país até o ano de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao seu final.

Seja em produções recentes como A Queda, A espiã, O leitor e Operação Valquíria, ou nas mais antigas e magistrais, a exemplo de O pianista e A lista de Schindler, o cinema que coloca o Nazismo em foco, tenta sempre dissecar um personagem central dessa parte da história mundial de triste relevância.

Seguindo a febre de filmes baseados no Nazismo, chega às locadoras de todo país, Um homem Bom (Good, UK, 2008), filme adaptado de uma peça de teatro do escocês Cecil Philip Taylor, que conta a história de vida do professor universitário alemão John Halder (Viggo Mortensen, de Senhores do Crime), no início da ascensão da ditadura de Hitler na Alemanha.

Apesar de ter base em uma peça teatral, Um homem bom, primeiro filme de língua inglesa do diretor brasileiro Vicente Amorim, filho do ministro Celso Amorim, não tem os vícios deste tipo de adaptação. Mesmo tendo que lidar com uma história repleta de fendas profundas como o Nazismo, Vicente consegue fazer um trabalho repleto de sutilezas, explorando uma visão ainda não convincente por parte do povo alemão: a ingenuidade perante o Holocausto.

John Halder, o homem bom do titulo, é um professor de literatura que vê o Nazismo bater cada vez mais forte às portas da Universidade. Livros são queimados, enquanto filósofos e grandes pensadores são proibidos de serem citados em suas aulas. Para John, em uma conversa com seu amigo psicanalista judeu, Maurice (boa interpretação de Jason Isaac) – conversas essas que são os pontos mais altos do filme – Hitler é uma piada, que cairá no esquecimento em breve. Ledo engano.

Lidando com uma mulher problemática, uma mãe doente, e um sogro nazista intruso, John, em meio à apatia e serenidade, vê sua sorte mudar quando seu único romance publicado cai nas mãos do regime ditatorial, e para sua surpresa, todos parecem gostar – já que o mote principal da historia é a eutanásia. Entre ficar sob um teto escuro, opressor e depressivo, e viver uma felicidade instantânea dentro dos salões amplos, límpidos e iluminados das sedes nazi, fica obvio o porque do professor concordar em ser um tipo de consultor do regime totalitário de Hitler.

Logo seus problemas são meras águas passadas e John já está com vida nova a pleno vapor. Não tarda, e Anne, a representação máxima de uma dona de casa ariana de respeito, se torna sua esposa, e uma casa ampla e mobiliada é dada como nova morada do casal. Tudo pago pelos nazistas.

É exatamente neste ponto que Vicente Amorim mostra segurar com firmeza as rédeas da direção, expondo aos poucos o personagem de excelente caracterização de Mortensen, a uma fagocitose completa por uma ideologia que esteve sempre antagônica aos seus princípios, mas que agora é sua principal forma de sobreviver ao momento de transição pela qual a Alemanha passa.


Aqui, podemos presenciar com exatidão o que já foi defendido por muitos ao longo da história mundial: a mesma massa alemã que colocou Hitler no poder, poderia estar realmente alheia ao Holocausto? À primeira vista, focando apenas John, a resposta se confirmaria afirmativa. Ainda apático, lento e de poucos momentos de sobriedade e atitude, o personagem de Viggo chega a irritar por tamanha passividade.

Sem grandes surpresas, Um homem bom, não posso negar, obtém resultado satisfatório, mas talvez por já sabermos o início, o desenvolvimento e o desfecho de um dos mais brutais capítulos protagonizados pela raça humana, chega a ser difícil de imaginar uma pessoa, sobretudo tão esclarecida como Halder, estar tão aquém de saber o que se passava à frente de seus próprios olhos incrédulos.