Anjos e demônios: a Itália resplandece sob a insanidade de um Carmelengo
O interesse pela literatura está longe de ser parte integrante da cultura nacional. Mal sabem aqueles que não lêem, que um bom livro pode acrescentar na vida de uma pessoa não apenas conhecimento, mas tantos outros benefícios, como por exemplo, a capacidade de criatividade imaginária.
Através dos livros podemos imaginar lugares nunca visitados por nós. Grandes praças, vastos campos, belas paisagens, cidades enormes, vilarejos pequeninos, guetos fétidos, edifícios aos pedaços. Um escritor de talento, sabe transportar o leitor para os exatos lugares que suas obras utilizam como pano de fundo.
Assim foi quando li o best-seller O código Da Vinci. Imaginei Paris abraçada por beleza de encher os olhos. A cidade luz como ela sempre me foi contada por aqueles que já a haviam visitado. Largas ruas, esplêndida luminescência, e principalmente O museu do Louvre, de organização impecável.
Após assistir a adaptação da obra literária para os cinemas, em 2006, cheguei ao resultado de que tudo aquilo foi simplesmente frustrante. Três anos depois, o escritor norte-americano Dan Brown, teve uma segunda obra adaptada para as telonas, dando origem a Anjos e demônios (Angels and Demons, EUA/ITA, 2009), filme com lançamento em DVD previsto para 2 de Setembro no Brasil.
Para os mais desavisados, este segundo filme é na verdade a parte que antecede as primeiras aventuras realizadas pelo professor de simbologia americano Robert Langdon (novamente interpretado por Tom Hanks) em O código Da Vinci.
Na Itália atual, mais especificamente no Vaticano, o país, proporcionalmente mais rico do planeta, o Papa em atividade morre subitamente, e todos aguardam ansiosamente a votação e conseqüente reposição deste. Quando tudo parecia normal, quatro cardeais – os mais indicados na sucessão papal – são seqüestrados horas antes do início do Conclave – a seleção do próximo Papa a Ocupar a cadeira do Vaticano.
Apesar das rusgas e intrigas com Langdon, o Vaticano não vê outra solução além de chamar o simbologista para ajudar a igreja na busca pelos desaparecidos, já que, para isso, seria necessário descobrir a rota do “caminho da iluminação”, que levaria de encontro à antiga sociedade secreta italiana Iluminatti.
Juntamente com os seqüestros, há também a ameaça de explosão de uma bomba de antimatéria, e assim entra na história a cientista Vittoria Vetra (Ayelet Zurer), o que basicamente Sofie Noveau foi para Langdon no primeiro filme, essa moça será para ele em Anjos e Demônios, exceto pelo sex-appel do casal.
Daí em diante, dá-lhe ação, voltas e reviravoltas nos cansativos mais de 140 minutos de fita. Ron Howard, experiente diretor indicado ao Oscar deste ano pelo ótimo Frost/Nixon, também volta às rédeas dessa segunda parte, mas aparentemente não aprendeu muito com as críticas ferrenhas que sofreu com a realização de O código Da Vinci.
Situações estapafúrdias, como quando o “carmelengo super-homem” Patrick McKenna (Ewan McGregor, de A lista – Você está livre hoje?), salta de um helicóptero e faz um lençol de pára-quedas quebram um pouco a credibilidade construída ao longo da fita.
Os toques de excelência de Anjos e Demônios ficam realmente a cargo dos cenários – Roma e o Vaticano resplandecem em fontes, praças e pontos turísticos maravilhosos à luz da lua – e da edição das frenéticas cenas de ação, capazes de tirar o fôlego até mesmo dos mais sonolentos.



